Uma tarde com Stephen Kanitz

Na semana passada eu conversei uma tarde inteira com um dos maiores palestrantes do Brasil: o professor Stephen Kanitz. Foi uma experiência que marcou a minha vida e vou compartilhar com vocês neste artigo.

 

Para que você entenda a importância deste encontro, preciso informar que ao aposentar a profissão de advogado, resolvi conhecer pessoalmente os grandes nomes do ramo de palestras.

 

Já tive a oportunidade de conversar com Roberto Shinyashiki, Daniel Godri, Prof. Marins, Mauro Halfeld, Gustavo Cerbasi, Sr. Dinheiro (do Fantástico), Othon Barros, Alfredo Rocha e outros profissionais de ponta.

 

Mas faltava na minha coleção o professor Kanitz. Para quem não o conhece, Stephen Kanitz é um requisitado conferencista da área econômica que foi professor da USP, tem mestrado pela Universidade de Harvard e foi colunista da Revista Veja por mais de 10 anos.

 

Na última quarta-feira eu estava saindo de um compromisso no Tribunal de Justiça em São Paulo, quando de repente reconheço o professor Kanitz na livraria Saraiva que fica ao lado da catedral da Sé.

Ele não aparenta os 69 anos de idade. Me apresentei, falei do projeto de conhecer melhor os grandes palestrantes e lhe ofereci um café na loja da Kopenhagen a meio quarteirão dali.

 

Para minha surpresa, ele me acompanhou até a cafeteria e o papo fluiu por mais de três horas embalado por café, algumas guloseimas e água mineral sem gás. A certa altura eu pedi para gravar tudo com o celular para não esquecer os detalhes.  Vejam o que eu anotei.

 

Falando sobre prioridades na vida, logo de cara ele me perguntou o seguinte: se você marca de ir ao cinema com seus filhos no próximo sábado, mas na sexta-feira o seu chefe te convida para um churrasco com toda a equipe de trabalho no mesmo horário do filme, o que você faria?

 

Explicou depois que a maioria das pessoas vai ao churrasco e cancela o cinema acreditando que os filhos amam os pais e que vão entender e perdoar. Mas até quando os filhos vão perdoar e entender o fato de não serem uma prioridade em nossa vida?

 

A melhor atitude segundo ele, é deixar bem claro para a esposa que ela e a família vêm em primeiro lugar. Aplicando esta filosofia ele ultrapassou 40 anos de casado.

 

Comentou também o prazer de ter filhos recomendando que eu não seja um pai ausente. Na opinião do professor Kanitz, muitos pais perdem seus filhos, mas os pais que menos ficam abalados com a tragédia são aqueles que curtiram e se divertiram à beça enquanto eles estavam vivos.

Quando soube que tenho três filhos, ele me recomendou a leitura do livro A autoestima do seu filho, de Dorothy Briggs. E quando mencionei que um deles já tem 15 anos, recomendou trata-lo sempre como se ele tivesse cérebro, mesmo que no início eu possa ter minhas dúvidas a respeito.

 

Recebi o comentário irônico com um sorriso e pedi mais duas unidades do alfajor. Que delícia é aquilo…

 

Sobre meus planos profissionais ele explicou que a ambição é tudo o que pretendemos fazer na vida e que a ética são os limites que nos impomos na busca desta ambição. Como por exemplo: não roubar, mentir ou pisar nos outros para atingir a tal ambição.

 

Sendo assim, é preciso definir a ética antes da ambição para não cair na armadilha que pode minar a felicidade futura.

 

Mudamos para economia e ele confirmou tudo o que venho falando há anos sobre finanças pessoais. Se pudesse, ele criaria um 11o. mandamento “Jamais comprarás a prazo” e que uma das formas de combater as incertezas do futuro é ter dinheiro reservado para tal.

 

Falei rapidamente da minha atuação como Coach de preparo da aposentadoria só para ouvir o professor Kanitz dizer o que pensa sobre o assunto. Foi neste ponto que comecei a gravar a conversa, imaginando que a própria aposentadoria e a idade de quase 70 anos trouxesse reflexões profundas sobre o tema.

 

Eu estava certo. Veja o que ele me disse:

 

Seu chefe vai esquece-lo totalmente um mês depois da sua aposentadoria, bem como os seus colegas de trabalho. Mas o trabalho não é tudo na vida. Você pode se dedicar a outra atividade, à função de avô ou atuar no terceiro setor com voluntariado.

 

A maioria das pessoas já ouviu dizer que, após seis meses, todo aposentado sobe pelas paredes e implora para voltar a trabalhar. Isso é uma grande mentira. Para quem se prepara corretamente, a aposentadoria é uma delícia.

 

Explicou depois que foi como aposentado que ele ampliou sua atuação como palestrante, criou o site voluntários.com.br e o filantropia.org provando que aposentado não significa ocioso.

 

Para finalizar a conversa falamos um pouco sobre fé.

 

Existe vida após a morte? Ele acredita que resolver esta dúvida religiosa logo no início da vida adulta é mais importante do que se imagina e a resposta é algo muito interessante.

 

Mas eu não vou te contar. Para saber o que uma pessoa pensa, a gente precisa passar tempo com ela e entender a razão dos seus argumentos. Talvez você tenha a sorte de encontra-lo em alguma livraria por aí, como aconteceu comigo.

 

Depois de 3 horas e vinte minutos, fiz questão de pagar a conta sozinho e encerramos nossa conversa no mesmo momento em que fechei o livro Família Acima de Tudo, de Stephen Kanitz.

Eu realmente estive nestes lugares e conheci os palestrantes mencionados como você poderá acompanhar nesta conversa gravada com Roberto Shinyashiki. https://youtu.be/3zD3rdm5oV0

 

Mas enquanto aguardo uma oportunidade para conhecer pessoalmente o prof. Kanitz, eu comprei o livro que ele escreveu e passei algumas horas na companhia de suas ideias.

 

Minha intenção com este texto é destacar o seguinte: a leitura é uma escolha consciente sobre quem vai nos fazer companhia. A federação do comércio do Rio de Janeiro divulgou que 70% dos brasileiros não leram um único livro em 2014.**

 

Nós passamos milhares de horas na frente da televisão, convivendo com pessoas que não acrescentarão ideias novas e úteis para a nossa vida, mas não escolhemos um bom livro para conversar com gente interessante.

 

A leitura nos permite dialogar com pessoas que não estão presentes, que vivem em outros países e até com aqueles que já morreram. Não é fantástico?

 

Aproveite esta maravilha e escolha melhor as pessoas com quem você passa o seu tempo. Esta companhia pode modificar o seu estilo de vida sem você perceber. É o antigo ditado: diga-me com quem andas…

 

Naquela tarde eu realmente estive na companhia de alguém que admiro e veja só a surpresa: neste exato momento você também acaba de passar 6 minutos comigo e o prof. Kanitz.

 

Muito obrigado por sua companhia.

Espero que tenha sido um bate-papo agradável.

 

Agora vamos tomar um café?

Grande abraço,

Samuel Marques

Palestrante e Coach Financeiro